Oportunidade para Artistas no Festival Novo Mundo 2013

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  • Data da oportunidade: 28/12/2013 – 29/12/2013
  • Inscrições até: 07/12/2013
  • Local: Santos – SP, Brasil
  • Estabelecimento: Nas Ruas do Centro Histórico Santos
  • E-mail: coletivonavecultural@gmail.com
  • Vagas: 03
  • Produtor: navecultural

O Festival Novo Mundo acontece pela segunda vez na região da Baixada Santista! Com muita música, exposições artísticas, debates e tranmissões online, o festival veio mostrar que é totalmente possível viver em um novo mundo! Embarque nessa também!

Centro Cultural da Zona Noroeste de Santos será entregue neste sábado

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O Centro Cultural da Zona Noroeste de Santos, será entregue à população neste sábado (31), às 12h, após um desfile cívico-militar que celebrará os 37 anos da região. O equipamento abrigará a Biblioteca Silvério Fontes, cursos e sala de cinema. Estão previstos ainda o Museu do Carnaval Santista e oficinas culturais.

Alunos do programa Escola Total das escolas Esmeraldo Tarquínio, Fernando Costa, Maria de Lourdes Borges Bernal, Leonardo Nunes e Pedro Crescenti terão atividades artísticas, esportivas e orientação pedagógica. Já os moradores poderão praticar tai chi chuan, dança flamenca e recreativa, alongamento, ginástica geriátrica, vôlei adaptado à 3ª idade, basquete e tênis. Haverá também espaço para a divulgação do programa Santos Novos Tempos e da base Guarda Municipal.

No Carnaval, o imóvel de 3 mil m² se transformará em camarotes e setores de apoio aos desfiles, enquanto as nove quadras de esportes, com alambrados removíveis, darão lugar às arquibancadas.

Orquidário expõe trabalhos das bordadeiras do Morro São Bento

bordadeiras, são bento

Conhecer o autêntico bordado da Ilha da Madeira é mais um atrativo que o Orquidário (Pça. Washington, s/nº, José Menino) oferece domingo (14), das 9 às 17h.

As peças são confeccionadas por Maria Tereza Pestana, 75 anos; Isabel de Andrade, 84; e Maria Alexandre Fernandes, 78, algumas das quais exigem mais de um mês de trabalho diário. A mostra é realizada no Orquidário sempre no segundo domingo de cada mês.

A origem

Esse tipo de bordado foi originalmente introduzido pela família inglesa Phelps, que se mudou para a Ilha da Madeira em 1784. Setenta anos depois, Elizabeth, a filha mais velha, passou a ensinar essa arte a crianças e mulheres. Inicialmente, os trabalhos eram vendidos a amigos e só mais tarde foram oferecidos a turistas.

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Conferência no Guarany define prioridades para o setor cultural

GUARANY

A 7ª Conferência Municipal de Cultura será realizada sábado (13), a partir das 9h, no Teatro Guarany (praça dos Andradas, 100, Centro Histórico). Na ocasião será homologada a eleição dos membros da sociedade civil, escolhidos nas pré-conferências realizadas em março, e que irão compor o novo Concult (Conselho Municipal de Cultura), para o biênio 2013/2014.

Além disso, serão promovidas discussões e votações das propostas apresentadas nos encontros preparatórios, em cada segmento cultural: música e ópera, artes visuais, promoção e produção cultural, folclore/artesanato e cultura popular, teatro e circo, carnaval, história e memória, literatura, patrimônio histórico, dança e movimento, e audiovisual e multimeios.

O evento é aberto ao público, mas a participação nas discussões e votações é restrita aos conselheiros. Informações: 3226-8000.

Secretaria de Cultura inicia ampliação do acervo de bibliotecas

livro

‘Medeia’, de Eurípedes, ‘Orgulho e preconceito’, de Jane Austen, ‘Emboscada no forte Bragg’, de Tom Wolfe, e ‘Off – uma história de teatro’, de Manoel Carlos, formam uma pequena lista de títulos que a prefeitura adquiriu recentemente para distribuí-los nas seis bibliotecas públicas organizadas pela Secult (Secretaria de Cultura). A iniciativa é resultado de parceria com o MinC (Ministério da Cultura).

Cerca de R$ 30 mil serão investidos em livros novos, de diferentes gêneros, publicados por variadas editoras. Obras de escritores como Joaquim Manuel de Macedo, Hilda Hilst, Platão, Nietzsche, entre tantos outros autores, também fazem parte do primeiro lote. Essa remessa ainda traz publicações escritas ou adaptadas por Ziraldo e Walcyr Carrasco, que se destacam no universo literário infanto-juvenil.

Os títulos já foram encaminhados à Biblioteca Alberto Sousa (Centro Histórico) que centraliza os serviços de classificação e tombamento dos livros. Após esse procedimento, as obras serão distribuídas e colocadas à disposição do público para empréstimo e consulta.

Informações sobre as bibliotecas no site www.santos.sp.gov.br/agendacultural.

Cidade pode ter incubadora cultural com parceria do Sebrae

cultura

O primeiro passo para a criação de uma incubadora cultural foi dado, na semana passada, no Paço, em encontro entre equipe da Sebrae-SP e seu diretor superintendente, Bruno Caetano, secretários municipais e o prefeito de Santos. A iniciativa, que visa estimular a economia criativa, oferecerá apoio técnico a artistas, entidades e produtores culturais para a elaboração de projetos e propostas de gestão cultural.

Outro assunto discutido foi o desenvolvimento de um Censo cultural para diagnosticar aptidões artísticas e criar um banco de dados de Santos. O projeto vai ao encontro da proposta de campanha do prefeito Paulo Alexandre, de estimular o empreendedorismo cultural.

Estiveram presentes à reunião o secretário de Cultura, Raul Christiano; a secretária de Educação, Jossélia Fontoura; o secretário de Turismo, Luiz Dias Guimarães; e o secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico e Inovação, José Antônio de Oliveira Rezende.

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“Vou transformar Santos na capital da leitura”, diz secretário

Raul Christiano

Com experiência administrativa, o novo secretário de Cultura de Santos, Raul Christiano, atuou em vários âmbitos de governos municipais, estaduais e federais. Nascido em Apucarana, no Paraná, 54 anos, vive em Santos desde a adolescência. Formado em jornalismo pela UniSantos, é poeta, e faz parte da Academia Santista de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Santos.

O novo secretário chega à Secult com várias metas: digitalização do acervo municipal, revitalização dos teatros, especialmente o Municipal Braz Cubas e o Rosinha Mastrângelo (no Centro de Cultura Patrícia Galvão), e melhoria das bibliotecas. A entrevista foi publicada na edição deste domingo do jornal A Tribuna.

Como será a Secretaria de Cultura na sua gestão?

A Secult não será uma central de eventos. Essa visão já passou, os eventos serão uma consequência do trabalho de formação de plateias, de distribuição de cultura por toda a Cidade, de estímulo. Pretendo atuar em parceria com as secretarias de Educação, Esportes e Assistência Social e em muitos casos com a de Saúde, promovendo ações que beneficiem a comunidade e levem as pessoas de todas as regiões a consumir cultura. Não vou ficar contemplando a tradição de Santos que já ofereceu talentos para o mundo. Eu quero saber porque os artistas precisam sair de Santos para fazer sucesso. Quero lutar para mantê-los, assim como o Santos Futebol Clube mantém o Neymar. Precisamos dar condições para que nossos artistas sejam reconhecidos aqui e com repercussão lá fora.

As bibliotecas vão merecer atenção em sua gestão?

Um dos focos é a melhoria dos equipamentos, bem como a disponibilidade desse serviço para comunidade. A biblioteca da Humanitária precisa ser ajudada, a entidade não é só cultural tem uma folha de serviços históricos prestados a Santos. A finalidade de quando foi construída em 1879 não existe mais. Ela era uma entidade assistencial, fazia um trabalho que é exercido hoje por planos de saúde, seguradoras e sindicatos e perdeu funções ao longo dos anos. Hoje tem um número de sócios pequenos. Ainda estou conhecendo a estrutura geral da secretaria, mas a questão das bibliotecas, o funcionamento delas, seus acervos são uma preocupação minha. Vou buscar parcerias para cuidar melhor delas e digitalizar esses acervos.

E no aspecto da democratização da cultura?

Nosso esforço vai ser o de levar cultura a todos os lugares, formando parcerias com o terceiro setor e sociedades melhoramentos de bairros. Onde houver equipamentos da prefeitura, vamos empreender uma ação cultural, não só como objeto de consumo, mas também de participação, de interatividade e especialmente de inclusão. Vamos promover ações para que as pessoas comecem a se alimentar de cultura e isso leve ao gosto pela leitura, teatro, cinema, dança e todas as manifestações artísticas.

Como vê a cara da cultura em Santos?

Vejo uma cidade na qual há uma produção enorme. A ideia é fazer uma convergência de todos esses valores. Tenho informação de atividades em todos os pontos da Cidade e na área continental, quero ser o ponto de convergência. Talvez eu funcione mais como o maestro de uma orquestra cultural, estimulando, provocando os acordes, manifestações e buscando condições para que elas aconteçam e cheguem ao público.

Quais outras intervenções serão feitas?

Tive informação, ainda preliminar, de que existe um projeto de 1998 de revitalização e reforma do Centro de Cultura Patrícia Galvão. Já pedi para levarem ao meu gabinete, assim como outros trabalhos que possam existir. Vou atualizar e encaminhar ao Ministério da Cultura, junto com um pacote que inclui a digitalização dos acervos e a melhoria das bibliotecas públicas. Já conversei com Galeno Amorim, da Fundação Biblioteca Nacional sobre isso. Quero transformar Santos na capital da leitura. Isso não quer dizer que vou olhar apenas para o lado onde tive uma atuação maior, até porque não sou ligado a nenhuma tribo da arte ou da política cultural. Estou na secretaria como gestor e muito ansioso para dar respostas, até por sentir que as expectativas em relação a minha designação para esse papel são grandes.

 

A Tribuna

FeirArte

FeirArte passa a ter apresentações culturais


A partir deste fim de semana, os passeios à FeirArte ficarão ainda mais atrativos. A feira ao ar livre, que acontece aos sábados (orla do Boqueirão – próximo a Avenida Conselheiro Nébias) e aos domingos (Praça Caio Ribeiro de Moraes, em frente ao Sesc, na Aparecida) contará agora com apresentações culturais a cada edição, sempre às 18h. A estreia ficará por conta do Quarteto Trio Los Dos, que apresenta neste sábado (22) e domingo (23) o espetáculo circense ‘Com a Cara Pintada e o Pé na Rua’.

Malabares, acrobacias e improvisos fazem parte da montagem, a qual tem no elenco os palhaços ‘Chevette’, ‘Fuskinha de Porta Aberta’ e Ozi (sonoplastia e música ao vivo).

Inspirado em reprises clássicas de circo, o espetáculo tem como integrante principal o público, que participa do show do início ao fim. A classificação é livre.

A FeirArte acontece das 14h às 22h e é composta por cerca de 300 expositores, entre barracas de artesanato e alimentação. Há várias opções, como bijuterias, roupas, bolsas, panos de pratos pintados à mão, caixinhas de madeira e enfeites natalinos.

As exibições artísticas que ocorrerão no local serão diversificadas, englobando várias expressões culturais, como música, teatro, dança e circo. A iniciativa é da Prefeitura de Santos, por intermédio das Secretarias de Cultura (Secult) e Finanças (Sefin). Informações: 3226-8000.

Sábado:

Endereço– Avenida Bartolomeu de Gusmão esquina com Avenida Conselheiro Nébias – na praia.

Domingo:

Endereço Rua Conselheiro Ribas s/nº na Praça do SESC Santos
Endereço Rua João Fraccaroli no Jardim Botânico Chico Mendes de Santos.

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Vicente de Carvalho, O poeta do mar

Em 21 de julho de 1946, o ilustre santista teve sua estátua inaugurada no jardim da praia do Boqueirão, de frente para a avenida que também leva o seu nome. A cerimônia foi presidida pelo embaixador José Carlos de Macedo Soares. A estátua foi encomendada pela Prefeitura ao escultor Caetano Fracarolli e gerou uma polêmica muito grande em virtude de o poeta que tem no mar a sua grande paixão estar de costas para a praia.

Antes de morrer, em 22 de abril de 1924, Vicente de Carvalho tomou todas as providências finais, não esquecendo sequer de deixar dinheiro para as primeiras despesas. No seu túmulo foram gravados estes versos de sua autoria:

“O derradeiro sono eu quero assim dormi-lo:
Num largo descampado
Tendo em cima o esplendor do vasto céu tranquilo
E a primavera ao lado.”


BIOGRAFIA 
Vicente Augusto de Carvalho nasceu em 5 de abril de 1866, no berço de uma tradicional família santista. Pelo lado paterno vinha uma linhagem militar, com seu avô capitão de milícias e seu pai o Major Higino José Botelho de Carvalho, dono de modesta loja de ferragens. Sua mãe, sra. Augusta Ca­rolina Bueno de Carvalho, descendia em linha reta de Ama­dor Bueno, sendo seu bisavô materno capitão-mor.

Para enfrentar a crise econômica difícil, a família viu­-se obrigada a mudar-se para a zona dos quartéis (hoje Rua Xavier da Silveira). Há que se destacar que a família Carvalho residia no cobiçado bairro dos Quatro Cantos – o espaço geográfico e o tempo histórico peculiares à época do seu nas­cimento, infância e adolescência, tiveram influência decisiva na sua formação.

Iniciou seus estudos com professor particular em 1873 na cidade de Santos, em 1879 ingressou no Seminário Episco­pal de São Paulo, como interno, estudou ainda nos colégios Mamede e Norton em 1881 e a partir de 1882 cursou direito, matriculado com ordem especial da Assembleia Geral do Império, por ter 16 anos incompletos, sendo Bacharelado em 1886. Trabalhou como redator e colaborador dos jornais O Patriota, A Idéia Nova, Piratini, O Correio da Manhã e A Tri­buna; colaborou no O Estado de São Paulo sob o pseudônimo João d’Amaia.

Considerado o maior poeta lírico do Brasil, era ainda juiz de direito e jornalista. Revelou bem cedo sua marcante incli­nação literária, no entanto, sem deixar de exercer muitas ou­tras atividades, como escrever para teatro, fazer textos sobre a economia cafeeira. Foi redator do Diário de Santos e fundador do Diário da Manhã. Foi candidato a deputado provincial no Congresso Republicano no ano de 1887, deputado no Con­gresso Constituinte do Estado. Já na relatoria da constituinte, renunciou ao mandato em protesto pelo fechamento do Congresso Nacional, ditado pelo então presidente da Repú­blica, Marechal Deodoro da Fonseca. Mudou-se para Franca, município do interior paulista, e tornou-se fazendeiro. Em 1901, regressou a Santos, dedicando-se à advocacia. Em 1907, retornou a São Paulo, onde foi nomeado juiz de direito.

Foi, ainda, secretário de Interior do Governo do Estado. Entre os anos de 1908 e 1914, época em que exercia a advo­cacia, queria desenvolver o transporte hidroviário no Vale do Ribeira, então ajudou a fundar a Companhia de Navegação Fluvial Sul Paulista, da qual foi sócio. Ainda em 1914, passou a ministro do Tribunal da Justiça do Estado.

PALAVRAS AO MAR

Mar, belo mar selvagem

Das nossas praias solitárias! Tigre

A que as brisas da terra o sono embalam,

A que o vento do largo eriça o pêlo!

Junto da espuma com que as praias bordas,

Pelo marulho acalentada, à sombra

Das palmeiras que arfando se debruçam

Na beirada das ondas – a minha alma

Abriu-se para a vida como se abre

A flor da murta para o sol do estio.

Quando eu nasci, raiava

O claro mês das garças forasteiras:

Abril, sorrindo em flor pelos outeiros,

Nadando em luz na oscilação das ondas,

Desenrolava a primavera de ouro;

E as leves garças, como olhas soltas

Num leve sopro de aura dispersadas,

Vinham do azul do céu turbilhonando

Pousar o vôo à tona das espumas…

É o tempo em que adormeces

Ao sol que abrasa: a cólera espumante,

Que estoura e brame sacudindo os ares,

Não os saco de mais, nem brame e estoura;

Apenas se ouve, tímido e plangente,

O teu murmúrio; e pelo alvor das praias,

Langue, numa carícia de amoroso,

As largas ondas marulhando estendes…

Ah! vem daí por certo

A voz que escuto em mim, trêmula e triste,

Este marulho que me canta na alma,

E que a alma jorra desmaiado em versos;

De ti, de tu unicamente, aquela

Canção de amor sentida e murmurante

Que eu vim cantando, sem saber se a ouvia,

Pela manhã de sol dos meus vinte anos.

O velho condenado,ao cárcere

das rochas que te cingem!

Em vão levantas para o céu distante

Os borrifos das ondas desgrenhadas.

Debalde! O céu, cheio de sol se é dia,

Palpitante de estrelas quando é noite,

Paira, longínquo e indiferente, acima

Da tua solidão, dos teus clamores…

Condenado e insubmisso

Como tu mesmo, eu sou como tu mesmo

Uma alma sobre a qual o céu resplende

– Longínquo céu – de um esplendor distante.

Debalde, o mar que em ondas te arrepelas,

Meu tumultuoso coração revolto

Levanta para o céu como borrifos,

Toda a poeira de ouro dos meus sonhos.

Sei que a ventura existe,

Sonho-a; sonhando a vejo, luminosa.

Como dentro da noite amortalhado

Vês longe o claro bando das estrelas;

Em vão tento alcançá-la, e as curtas asas

Da alma entreabrindo, subo por instantes…

O mar! A minha vida é como as praias,

E o sonho morre como as ondas voltam!

Mar, belo mar selvagem

Das nossas praias solitárias!

Tigre de que as brisas da terra o sono embalam,

A que o vento do largo eriça o pêlo!

Ouço-te às vezes revoltado e brusco,

Escondido, fantástico, atirando

Pela sombra das noites sem estrelas

A blasfêmia colérica das ondas…

Também eu ergo às vezes

Imprecações, clamores e blasfêmias

Contra essa mão desconhecida e vaga

Que traçou meu destino… Crime absurdo

O crime de nascer! Foi o meu crime.

E eu expio-o vivendo, devorado

Por esta angústia do meu sonho inútil.

Maldita a vida que promete e falta,

Que mostra o céu prendendo-nos à terra,

E, dando as asas, não permite o vôo!

Ah! cavassem-te embora

O túmulo em que vives – entre as mesmas

Rochas nuas que os flancos te espedaçam,

Entre as nuas areias que te cingem…

Mas fosses morto, morto para o sonho,

Morto para o desejo de ar e espaço,

E não pairasse, como um bem ausente,

Todo o infinito em cima de teu túmulo!

Fosse tu como um lago,

Como um lago perdido entre as montanhas:

Por só paisagem – áridas escarpas,

Uma nesga de céu como horizonte…

E nada mais! Nem visses nem sentisses

Aberto sobre ti de lado a lado

Todo o universo deslumbrante – perto

Do teu desejo e além do teu alcance!

Nem visses nem sentisses

A tua solidão, sentindo e vendo

A larga terra engalanada em pompas

Que te provocam para repelir-te;

Nem buscando a ventura que arfa em roda,

A onda elevasses para a ver tombando,

– Beijo que se desfaz sem ter vivido,

Triste flor que já brota desfolhada…

Mar, belo mar selvagem!

O olhar que te olha só te vê rolando

A esmeralda das ondas, debruada

Da leve fímbria de irisada espuma…

Eu adivinho mais: eu sinto… ou sonho

Um coração chagado de desejos

Latejando, batendo, restrugindo

Pelos fundos abismos do teu peito.

Ah, se o olhar descobrisse

Quanto esse lençol de águas e de espumas

Cobre, oculta, amortalha!… A alma dos homens

Apiedada entendera os teus rugidos,

Os teus gritos de cólera insubmissa,

Os bramidos de angústia e de revolta

De tanto brilho condenado à sombra,

De tanta vida condenada à morte!

Ninguém entenda, embora,

Esse vago clamor, marulho ou versos,

Que sai da tua solidão nas praias,

Que sai da minha solidão na vida…

Que importa? Vibre no ar, acode os ecos

E embale-nos a nós que o murmuramos…

Versos, marulho! Amargos confidentes

Do mesmo sonho que sonhamos ambos!


Poesia – Conheça Santos – Marcial Salaverry

Quem vem a Santos passear,
apenas a praia quer freqüentar…
Seus jardins são passagem obrigatória…
Mas… E sua história?
Todos vão ao Aquário,
e também ao Orquidário…
Mas ficam sem a história conhecer,
e realmente, há muito que saber…
As ruínas encravadas na saída do túnel,
representaram na história seu papel…
O Panteão dos Andradas,
Outeiro de Santa Catarina,
locais conhecidos de poucos santistas,
que dirá dos turistas…
E fazem parte da história,
contam de Santos sua glória…
Igreja do Carmo, Alfândega de Santos,
e seus belos portões, tão lindos quando fechados,
mas isso apenas nos domingos e feriados…
Igreja do Valongo, quanta história nos conta…
Suas imagens com ouro e pedras preciosas engastadas,
tem proteção especial para não serem roubadas…
E o agora famoso prédio da Bolsa do Café…
Totalmente restaurado,
é um marco das glórias de um recente passado…
Quente ou gelado, toma-se o melhor café
que se pode provar no mundo…
Lá, a história foi preservada,
e totalmente respeitada…
Há que se visitar, para jamais esquecer…
O futebol também tem seu Museu,
exaltando as glórias do time do Pelé,
da cidade, o clube de fé.
Os jardins de Santos, além de sua beleza natural,
através de seus monumentos, também contam a história,
pois sempre lembram alguém que guardamos na memória…
Martins Fontes e seus cravos na lapela, sempre renovados,
Vicente de Carvalho, Bartolomeu, e tantos sempre lembrados…
E o passeio de bonde, não podemos deixar de fazer,
pois é uma linda volta ao passado, que não se deve esquecer…
Quando Santos novamente visitar,
venha também sua história honrar…
Não fique apenas na praia, e tenha a felicidade
de conhecer este outro lado de nossa cidade…