Sede da Prefeitura de Santos abre suas portas a todos os públicos

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Muitos santistas nunca entraram no prédio que representa sua cidadania, o Palácio José Bonifácio. E estão perdendo a oportunidade de conhecer um pedaço da trajetória do Município e, por conse-quência, de sua própria história. Mas existe uma opção para rever este erro: passeios monitorados pela sede da Prefeitura, que acontecem gratuitamente, a cada meia hora das 11h às 17h dos sábados, domingos e feriados.

Trata-se de um belo exemplar do ecletismo. Um monumento inaugurado no centenário da emancipação de Santos da condição de povoado à de cidade, em 26 de janeiro de 1939. Segundo o guia Eric Iozzi, sua construção demorou dois anos, mas a obtenção do terreno, décadas.

A entrada é adornada por duas estátuas de grandes proporções. Ao lado esquerdo da escadaria, o deus do Comércio, Hermes, repousa sobre um muro. No outro, Minerva, exibe formas voluptuosas e elegantes. Em sua mão, a chama que representa a sabedoria dá o referencial para os visitantes.

Os portões são europeus – provavelmente ingleses – e trazem, como muitos dos prédios da Cidade, sinais de sua principal riqueza, o café, eternizado em aço. No saguão de entrada, um belo ambiente revestido de mármore português e italiano, duas estátuas em bronze recebem os visitantes: um bandeirante e um religioso. Acima, no primeiro patamar das escadas envolventes, observa tudo o Patrono da Independência, José Bonifácio.

O passeio segue pelo primeiro andar do prédio, um local que passa por um caminho que, até a pouco tempo, unia dois poderes políticos: Executivo e o Legislativo. À direita das escadas, portas de vidro dão acesso às antigas dependências da Câmara Municipal e seu salão nobre, batizado de Princesa Isabel. Ali, em uma sala com formato elíptico, com inclinação de anfiteatro e balcão superior, eram discutidas até 2010 as leis que alteraram história e rotinas locais.

Outro ponto do Paço Municipal que chama a atenção é o salão Esmeraldo Tarquínio, construído com intenção de homenagear a sala dos espelhos do Palácio de Versalhes, sede da antiga realeza francesa. É um ambiente que se impõe pela beleza e riqueza de detalhes e ornamentos. Os lustres (como o salão Princesa Isabel) são de cristal Bacarat. O piso é feito em marchetaria de madeiras nobres e os detalhes, espelhos, cadeiras e mesas usam o dourado como tema. A técnica de douração naquele tempo usava o suprimento de pó de ouro para que as dobras do mobiliário recebessem o dourado que ainda hoje o caracteriza.

É uma dica de lazer em que a beleza chega aos últimos detalhes. Moradores e turistas podem fazer o passeio, marcado pela viagem por quase 74 anos de história.

 

A Tribuna

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Livro traça a trajetória do político santista mais importante do século 20

A vida do mais importante personagem da política santista do século 20 está contada nas páginas de “Tarquínio– Começar de Novo”, livro escrito pelo jornalista Rafael Motta, que será lançado dia 27, no salão nobre da Prefeitura —que, aliás, leva o nome de Esmeraldo Tarquínio.

Produzido após um ano e dois meses de pesquisas e entrevistas, a obra relata a trajetória desse personagem e a permeia com acontecimentos históricos, sociais e políticos de Santos, do Estado e do Brasil, entre as décadas de 1910 e 1990, antes do nascimento e depois da morte de Tarquínio.

Político popular entre as massas e habilidoso entre seus pares, Tarquínio foi um personagem cuja história renderia um bom longa metragem.

Nascido em 1927, em São Vicente, perdeu o pai aos 7 anos e começou a trabalhar aos 8. Adolescente, despontou como cantor de músicas norte-americanas em uma orquestra —modo de sobrevivência paralelo ao trabalho como despachante aduaneiro e, já adulto, enquanto advogado nesse segmento.

O início da carreira política própria foi uma evolução natural de quase 15 anos de militância, com destaque especial para o apoio permanente a Jânio Quadros – prefeito de São Paulo e, por oito meses, num tumultuado mandato, presidente da República. Tarquínio foi o candidato a vereador mais votado em seu partido, em 1959, e, três anos depois, conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

O Golpe de 1964 e a postura oposicionista de Tarquínio lhe trouxeram problemas. Eleito em 1968 o primeiro e único prefeito negro da história de Santos, foi cassado um mês antes de tomar posse. Antes e depois do Golpe de 1964, era vista pelo governo como fonte de “subversão”por causa da organização e da consciência política e trabalhista de seus habitantes.

Teve seus direitos políticos suspensos até 1979 – o que o transformaria no símbolo da luta para a recuperação de um direito tomado dos santistas, o de eleger diretamente seus prefeitos. Mas ele não voltaria ao cargo: morreu em 10 de novembro de 1982, em decorrência de um acidente vascular cerebral (AVC), a cinco dias de um retorno tido como certo à Assembleia Legislativa.

Sobre o autor – Rafael Motta (Santos, SP, 19 de dezembro de 1978), 33 anos, formou-se em Jornalismo pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), em 2000. Trabalha desde os 14 anos na área de Comunicação, quando obteve seu primeiro emprego, sem registro, na Rádio Clube de Santos, em 1993. Atuou em outras emissoras de rádio, produções em vídeo para emissoras de TV locais, programas de vídeo pela internet e reportagem.

Trabalha desde 2000 com jornalismo impresso, quando ingressou no jornal ‘Diário do Litoral’, e desde 2006 está no jornal ‘A Tribuna’, onde foi repórter, colunista político e é, atualmente, subeditor do caderno Local. Mantém o blog ‘Reexame’ (www.reexame.blogspot.com), onde comenta, sobretudo, assuntos políticos e socioeconômicos. Também é colaborador do portal UOL Notícias (www.uol.com.br) em Santos. Em 2009, recebeu voto de congratulações da Câmara Municipal, proposto pela vereadora Telma de Souza, pela reportagem ‘O tempo que ainda não recuperamos’, alusiva aos 40 anos da cassação do mandato e dos direitos políticos do ex-prefeito eleito Esmeraldo Tarquínio.

 

Jornal da Orla

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Aos 72 anos, Paço Municipal de Santos passará por reforma

O Palácio José Bonifácio, sede da Prefeitura de Santos, vai enfim passar por uma recauchutagem. O edital de licitação, para obras de manutenção da fachada e do telhado, foi publicado ontem. Será a primeira, e tão necessária, intervenção desse porte em 72 anos – a própria idade do Paço.

O secretário municipal de Infraestrutura e Edificações, Antônio Carlos Silva Gonçalves, estima que a Prefeitura estará com cara de jovem novamente em, no máximo, oito meses.

“Não é uma obra complexa, mas chata. Não dá para trabalhar à noite, pois é necessário iluminação. E, de dia, é um lugar com circulação constante de pessoas”, disse ele, já adiantando que a rotina da Prefeitura não será modificada.

No telhado, está prevista a revisão de todo o madeiramento. “Ainda não sabemos como está, os forros não estão aparentes. Só depois de abrir, vai-se ver a situação”.

Essa situação, segundo explicou, inclui desde ripas de apoio das telhas partidas a vigas transverssais arqueadas. “Também pode haver cupim”.

Na fachada, as quatro faces serão trabalhadas de uma única vez. “Ao longo dos anos, as fachadas sofreram infiltração, que originou o descolamento do revestimento”.

Primeiro, será feita uma prospecção (procura) mais acurada dos pontos de infiltração e todo o revestimento solto será removido. Se também for constatada a fissura na alvenaria, será feita uma espécie de costura de ferro, para não abrir mais. “Se fizer apenas um revestimento de massa, não adianta nada”.

Por fim, o edifício passará por uma lavagem geral, para anular a diferença de coloração entre o revestimento antigo e o novo.  As janelas de madeira dos andares superiores também serão recuperadas. As de ferro, nas laterais e no térreo, todas enferrujadas, serão trocadas.

No dia 28 de dezembro haverá a entrega e abertura dos envelopes com as propostas, pelas empresas interessadas em participar da licitação.

A partir daí, será necessário cerca de um mês para o anúncio da vencedora e formalização do contrato. Com isso, as obras em si devem começar em fevereiro e se estender por entre quatro e seis meses.

O paço

O Palácio José Bonifácio foi inaugurado em 26 de janeiro de 1939 – na comemoração do centenário da elevação da vila de Santos à categoria de Cidade. Projeto do arquiteto Plínio Botelho do Amaral, o edifício é em estilo neoclássico e tem uma área de 1.800 metros quadrados.

Todo o acabamento e os detalhes internos são suntuosos: predomina o mármore. Até março deste ano, abrigou também a Câmara Municipal, na Sala Princesa Isabel – uma raridade entre as sedes do Executivo em todo o País.

 A Tribuna
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