Navios movimentam 31 mil turistas em três dias

holland-prinsendam

 

O navio de luxo Prinsendam atracou por volta das 8h desta sexta (22) no Terminal Marítimo de Passageiros Giusfredo Santini-Concais, após duas temporadas sem escala na Cidade.

Com cerca de 800 turistas estrangeiros em trânsito, ele chegou no mesmo horário do Sovereign (Soberano, operadora Pullmantur), em sua 19ª escala no porto, nesta temporada de cruzeiros. Para recepcionar os cerca de seis mil passageiros das operações de desembarque, embarque e trânsito, o duo Rômulo e Leandro, no violino e violão, respectivamente, apresentaram às 11h30 peças do repertório brasileiro, iniciativa das secretarias de Turismo (Setur) e Cultura (Secult).

O Prinsendam segue às 23h para Ilhabela, tendo como destino final em Fort Lauderdale (EUA) – ele fará escalas no Rio de Janeiro; Ilhéus (BA); Recife (PE); Fortaleza (CE); Belém e Santarém (PA); Boca da Valéria, Manaus, Parintins e Santarém (AM), seguindo depois para a Guiana Francesa, Barbados, Ilhas Granadinas, Antilhas e Aruba.

Já o Sovereign chega de quatro noites no Rio e em Búzios (RJ) e segue às 17h para roteiro de igual para esses mesmos destinos e ainda o Balneário Camboriú (SC).

SÁBADO E DOMINGO

Neste sábado (23), é a vez do Seaview (MSC) fazer a 15ª escala em Santos. Maior transatlântico a vir ao País, com capacidade para 5.429 hóspedes, ele chega de minicruzeiro de quatro noites no litoral Sul e parte por volta das 19h para roteiro de quatro dias com destino a Balneário Camboriú.

Os navios Poesia (MSC) e Favolosa (Costa) chegam às 8h deste domingo e os cerca de 14 mil passageiros em operações de desembarque e embarque serão recepcionados por quarteto de cordas, com repertório de MPB e peças internacionais.

Em sua 13ª escala da temporada, o primeiro chega de sete noites em Buenos Aires (Argentina), Punta Del Este e Montevidéu (Uruguai), e parte às 17h para cruzeiro de igual duração e destino. Já o Favolosa (15ª escala) segue uma hora depois, com Búzios (RJ), Salvador (BA) e Ilhabela (SP) – ele veio de minirroteiro de quatro noites em Ilhabela e Balneário Camboriú.

Poesia: ‘Sou Santista, e TU?’ de Nélio Joaquim

santos

Tu não és 220 por casualidade,

Por isso seu brilho tem mais intensidade.

São muitos anos de existência,

Daqui não saio, tu és minha residência.

Tu não és 013 por eventualidade,

Tu tens muita personalidade.

Para alguns é azar,

Para santista é alucinar.

Tu não és quente por acaso,

Tu és inspiração, tu és parnaso.

Dia e noite sinto a sua influência,

Por isso a ti, faço reverência.

Autor: Nélio Joaquim

Pinacoteca homenageia Pablo Neruda

Pablo-Neruda

Nesta quarta-feira (dia 11) às 19h30 a Pinacoteca Benedicto Calixto  realiza um sarau lítero-musical em homenagem ao poeta chileno Pablo Neruda. Com apresentação da City- Companhia Instável de Repertório e grupo Percutindo Mundos, os escritores Flávio Viegas Amoreira, curador do evento , Madô Martins e Regina Alonso com os músicos Alice Mesquita e Márcio Barreto.

Durante o sarau que tem entrada gratuita, serão lidos poemas acompanhados com músicas latino-americanas. Pablo Neruda é Prêmio Nobel de Literatura e mundialmente reconhecido por sua obra de raro lirismo e sua militância libertária.

40 anos após sua morte, escritores caiçaras reverenciam a quem dedicou dois poemas antológicos a Santos, cidade que visitou e cantou a partir de diversas visitas. Escritores internacionais saudam o autor de “Canto Geral”, “Barcarola” e “Confesso que vivi!”.

Poemas e romances contam a História do Porto de Santos

Um livro que usa poemas, contos e romances como fontes de pesquisa para contar parte da História do Porto de Santos. Este é o caso de “Esquinas do Mundo: Ensaios sobre História e Literatura a partir do Porto de Santos”, que o jornalista Alessandro Atanes, mestre em História Social pela USP, lança em no dia 5 de abril (sexta-feira), às 19 horas, na Estação da Cidadania de Santos, na Avenida Ana Costa, 340, a antiga Sorocabana. O livro é publicado pela Editora Dobra com recursos do Fundo Municipal de Cultura de Santos.

Dividido em 11 ensaios temáticos, o livro apresenta e analisa textos que têm o porto como tema ou cenário escritos por nomes da literatura universal como Guy de Maupassant, Pablo Neruda, Elizabeth Bishop, Blaise Cendrars e Jorge Amado, aos quais se unem autores como Rui Ribeiro Couto, Ranulpho Prata, Roldão Mendes Rosa, Narciso de Andrade e os contemporâneos Madô Martins, Alberto Martins, Ademir Demarchi, Flávio Viegas Amoreira e Marcelo Ariel, entre outros.

Todos eles mostram o porto de Santos, cada um de uma maneira diferente, como um espaço que favorece narrativas como aventuras, histórias de chegadas e partidas, conflitos trabalhistas e ideológicos, mas também relatos de nostalgia de autores que acompanham o movimento de navios sem partir em nenhum. A exceção é Ariel, em que o autor analisa as relações entre História e Literatura em seu poema sobre o incêndio de Vila Socó, em Cubatão. É também de Ariel o texto que abre o livro. Como é comum que obras de ficção tenham uma introdução analítica, descritiva ou crítica, o poeta foi convidado para fazer o inverso, um texto de ficção que introduza os ensaios. Já a capa é de Raphael Morone.

De outra perspectiva, o livro busca ler o contexto em que os textos foram concebidos e como eles se relacionam ao longo do tempo entre si e com a sociedade em que foram escritos. Assim, os ensaios colaboram também para escrever uma História da Literatura escrita na cidade de Santos.

“Nessa balança entre História e Literatura, busca-se nos textos ficcionais não a ilustração ou o reflexo dos fatos reais, mas uma configuração alternativa a eles, um desvio a partir do qual a realidade pode ser questionada e de onde o conhecimento histórico pode ser construído. Colocando de outra forma, a Literatura é vista aqui como forma de conhecimento sobre o mundo”, destaca o autor.

Assim, a partir do porto de Santos, os ensaios vão se espraiando para outras esquinas do mundo e passam também pelos portos de Buenos Aires, Barcelona, Hamburgo, Nova York e São Petersburgo, sugerindo um parentesco entre as cidades portuárias.

Alessandro-Atanes

Sobre o autor

Alessandro Atanes, nascido em 1973 em Santos. Cresceu entre os bairros da Vila Mathias, de concentração de pequeno comércio, e do Macuco, o bairro portuário da cidade, e gosta quando os apitos dos navios fazem vibrar os vidros das janelas. Estudou Jornalismo na Universidade Católica de Santos e começou sua atividade profissional em Cuiabá, Mato Grosso, onde se uniu à Márcia Rodrigues da Costa. É servidor público Secretaria de Comunicação do município de Cubatão desde 1999 e atuou como jornalista em jornais, TVs e no Terceiro setor.

 

Esquinas do Mundo: Ensaios sobre História e Literatura a partir do Porto de Santos
Quando: Sexta-feira, 5 de abril
Horário: às 19 horas
Onde: Estação da Cidadania, Avenida Ana Costa, 340, Santos

 

 

Boqnews

Enhanced by Zemanta

Lançamento do livro ‘Tear’, de Regina Alonso

livro-tear

Encontro “Poesia da América Latina” no Sesc Santos

Leitura de autores latino-americanos inéditos em português, lançamento de traduções e uma conversa sobre os 10 anos da editora Eloisa Cartonera (Buenos Aires) e o fenômeno das editoras “cartoneras” (que utilizam papelão na confecção das capas) são as atrações literárias desta quinta-feira (16), no auditório do Sesc Santos, a partir das 20 horas. O encontro “Poesia da América Latina – Aproximações / Acercamientos” será conduzido pelo jornalista e ensaísta Alessandro Atanes, mestre em História Social, que apresentará jovens autores da cena independente no continente inéditos em português. Ele terá como convidado o poeta e editor Ademir Demarchi, que falará sobre a multiplicação deste formato de difusão do livro e da leitura.

Além das leituras, Atanes, que vem traduzindo textos do espanhol desde 2005, lança em um volume a tradução de dois livros do poeta Javier Heraud (1942-1963), ainda não publicados no Brasil: “Viagens imaginárias” e “À espera do outono”, ambos lançados postumamente, em 1964. Demarchi publica em livro dois contemporâneos até então sem edições no Brasil: “Berlim”, de Victoria Guerrero Peirano, peruana de Lima como Heraud, nascida em 1971, autora de 4 livros de poesia e editora da revista de cultura e política Intermezzo Tropical, que também publicou o livro originalmente em 2011; e “As palavras do Rímac”, sobre o rio que corta a capital peruana, do mexicano Felipe Mendoza, nascido em Sinaloa em 1968.

Os livros são publicados pela primeira editora “cartonera / catadora” da região, a Sereia Ca(n)tadora, criada por Demarchi. O primeiro livro da editora foi lançado em novembro de 2010, “Vuelo de identidade / Voo de identidade”, de mais um peruano de Lima, Óscar Limache, também com tradução de Atanes. As capas, pintadas individualmente, foram feitas pelos dois com a ajuda do poeta Paulo de Toledo e de Carmen Brandalise, sistema artesanal que permitiu há dez anos, durante uma das mais pesadas crises que se abateu sobre a Argentina, que poetas e catadores de papel da região metropolitana de Buenos Aires se unissem. Com poemas de um lado e papel e papelão (cartón) do outro, criaram trabalho e deram assim início a essa aventura literária.

Além da obra de Limache (que, por sua vez, traduziu Demarchi e outros para o espanhol), serão lidos e comentados poemas de José Manuel Barrios (1983, Montevidéu, Uruguai), Javier Raya (1985, Cidade do México, México), Osvaldo Picardo (1955, Mar del Plata, Argentina) Leônidas Lamborghini (1927, Buenos Aires, Argentina), Liliana Cabrera (1980, Buenos Aires, Argentina), Paula Ilabaca Núñez (1979, Santiago, Chile) e Olga Leiva (1981, Lund, Suécia), entre outros autores que Atanes está traduzindo e publicando em português na internet, no site http://www.portogente.com.br, onde mantém a coluna Porto Literário, e no blog Revista Pausa, nos quais também publica seus ensaios sobre as relações entre História e Literatura e uma reportagem recente sobre os 10 anos da Eloisa Cartonera.

Mais traduções – No momento, Atanes está terminando a tradução de outro livro de Limache, “Viaje a la lengua del puercoespín” (Viagem à língua do porco-espinho) e começa a tradução do romance “Gordo”, de Sagrado Sebakis, que conheceu na Feira do Livro de Buenos Aires, em maio. O capítulo final do romance, que também será lido no Sesc Santos, está também na internet.

Nova Diplomacia – Além da difusão de autores que, apesar da qualidade, dificilmente seriam publicados por editoras comerciais, o contato entre Demarchi e Atanes, desde Santos, e Limache e Victoria Guerrero em Lima, além de Sebakis em Buenos Aires, entre outros, tem um aspecto além do literário, que é o de estabelecer, ainda que em pequena escala, uma “Nova Diplomacia”, conceito cunhado pelo assessor de Defesa e Diplomacia do governo Bill Clinton (EUA), Joseph Nye, aquela feita também por meio das trocas culturais, da tradução e da ação intelectual e artística. “Um exemplo, para que possamos ter uma medida, é o número de livros trocados entre Santos e Lima. Eu estimo, por baixo, uns 400 livros entre livros que eu, Ademir e Márcia Costa trouxemos de Lima em duas viagens e, responsável por mais da metade desse PIB literário, o que o Óscar Limache levou para lá. Lógico que boa parte está nas estantes de cada um, porque é tudo nossa iniciativa, mas foram livros também para as bibliotecas públicas de região, sem contar que dividimos um pouco os livros nesses encontros. Limache diz que somos a Embaixada Literária de Lima em Santos”, conclui.

O próprio poeta esteve na região em novembro de 2010 para o lançamento de sua obra em português. Não havia um mês que Mario Vargas Llosa havia ganhado o Prêmio Nobel de Literatura e os públicos de Santos e Cubatão puderam presenciar duas conferências sobre a literatura peruana feitas por Limache, que é também professor.

 

“Poesia da América Latina – Aproximações / Acercamientos”

16/08 – quinta-feira

a partir das 20 horas

auditório do Sesc Santos

Rua Conselheiro Ribas, 136, Aparecida

Informações:(13) 3278-9800

 

Boqnews

Enhanced by Zemanta

Poesia do litoral será celebrada em evento multicultural no dia 19

Fazer poesia no Brasil é uma arte. Não apenas a arte, em si. Mas a arte da persistência. Ser poeta é, além de criar, persistir, não desistir. São raros os casos de poetas que conseguem sobreviver apenas de suas obras. Por isso impressiona o aniversário de 10 anos do Clube de Poetas do Litoral (CPL), que será celebrado no próximo sábado (19), das 15 às 20 horas, na casa 8, ao lado da Igreja Santo Antônio do Embaré, com a Feira Alternativa de Arte – FALAR.

O evento, gratuito, reunirá mais de 40 artistas, da Baixada e outras cidades. Mais de 60 livros serão lançados. Também haverá apresentações musicais e exposições de artes plásticas e fotografias. A organização é de Cláudia Brino, que também dirige a editora Costelas Felinas.

“Um artista, sozinho, que consiga manter por dez anos suas atividades, é um vitorioso. Quando conseguimos reunir dezenas de pessoas, em torno de uma instituição, mantida de forma independente, é necessário comemorar. O Clube de Poetas do Litoral celebra esse aniversário por ter alcançado seu objetivo: reunir gente de diferentes classes sociais, estilos e pensamentos para disseminar a arte”, ressalta Cláudia Brino.

No evento, mostrarão suas obras artistas de atuação reconhecida na Baixada, a exemplo das premiadas escritoras Regina Alonso e Madô Martins, e jovens talentos. E convidados de outros municípios, como Ari Mascarenhas, de Itapecirica da Serra, editor do selo Mirfak, da Algol Editora, de São Paulo, e o paulistano Márcio Callegaro, residente em Santos desde 1997. “Acredito que a Feira Alternativa de Arte, além de celebrar com louvor os 10 Anos do Clube de Poetas do Litoral, representa, também, um novo e importante passo na junção de forças dos autores e artistas daqui da Baixada”, destaca Márcio, que relançará dois livros.Serão lançados ainda três CDs e expostos trabalhos de seis artistas plásticos, três artesãos e seis fotógrafos.

Lançamento

A Falar marcará o lançamento do livro Cine Poesia, resultado de um concurso nacional, no qual os participantes enviaram poemas inspirados em filmes que foram baseados em livros. A obra tem 10 autores, 32 páginas, e capa assinada por Waldemar Lopes. Editada pela Costelas Felinas, será vendida a R$ 10.

Serviço:
Feira Alternativa de Arte – 10 anos do Clube de Poetas do Litoral
Quando: Sábado (19), das 15 às 20 horas
Onde: Casa 8 – Rua: Padre Visconti, 8, fundo da Livraria Santo Antônio, ao lado da igreja Santo Antônio do Embaré
Entrada franca
BoqnewsEnhanced by Zemanta

Grupo Poetas Vivos se apresenta na Pinacoteca

O Grupo Poetas Vivos comemora o carnaval na Pinacoteca Benedicto Calixto com o
espetáculo “Poesia na Folia”. No sábado, dia 18, a partir das 17h00, foliões e poetas
apresentam uma programação literomusical que conta com textos colhidos nas obras de
Manuel Bandeira, Chiquinha Gonzaga, Menotti Del Picchia, Oswald de Andrade, Flora
Figueiredi, Martins Fontes, Cecília Meireles, Paulo Leminski, Vinícius de Moraes e Francis
Hime.

A escritora Regina Alonso, coordenadora deste projeto, contribui com a composição Cinzas e
Crendices, de sua autoria.

No encerramento, personagens como o Rei Momo, a Colombina e o Pierrô vão invadir os
salões do museu ao som de Zé Pereira, numa gravação de 1920. A festa segue com
marchinhas e jingles que remetem a história dos velhos carnavais.
Evento: Poesia na Folia – Grupo Poetas Vivos
Data: 18 de fevereiro de 2012 – sábado
Horário: a partir das 17h00
Local: Pinacoteca Benedicto Calixto
Endereço: Avenida Bartolomeu de Gusmão, 15 – Boqueirão – Santos/SP

Estacionamento gratuito: Avenida Epitácio Pessoa, 100 – fundos da Pinacoteca

Entrada franca

Sarau e Caminhada Poética acontece sábado

No sábado (29) será realizado no Engenho dos Erasmos o Sarau e Caminhada Poética, dentro do programa Portas Abertas. O evento será conduzido pelos poetas da Casa do Poeta de Praia Grande e Sarau das Ostras. 

Atividades como recital de poesias, reflexões, rimas improváveis e prosas fazem parte do evento. Em sua quinta edição, o programa Portas Abertas é um programa educativo-cultural voltado para todos os públicos e apresentado aos finais de semana.

O evento será realizado no Engenho dos Erasmos, na Rua Alan Ciber Pinto, 96, São Jorge, Zona Noroeste. As inscrições são gratuitas e limitadas e devem ser feitas pelo e-mail:resjesantos@gmail.com ou pelo telefone 3203-390

Enhanced by Zemanta

Vicente de Carvalho, O poeta do mar

Em 21 de julho de 1946, o ilustre santista teve sua estátua inaugurada no jardim da praia do Boqueirão, de frente para a avenida que também leva o seu nome. A cerimônia foi presidida pelo embaixador José Carlos de Macedo Soares. A estátua foi encomendada pela Prefeitura ao escultor Caetano Fracarolli e gerou uma polêmica muito grande em virtude de o poeta que tem no mar a sua grande paixão estar de costas para a praia.

Antes de morrer, em 22 de abril de 1924, Vicente de Carvalho tomou todas as providências finais, não esquecendo sequer de deixar dinheiro para as primeiras despesas. No seu túmulo foram gravados estes versos de sua autoria:

“O derradeiro sono eu quero assim dormi-lo:
Num largo descampado
Tendo em cima o esplendor do vasto céu tranquilo
E a primavera ao lado.”


BIOGRAFIA 
Vicente Augusto de Carvalho nasceu em 5 de abril de 1866, no berço de uma tradicional família santista. Pelo lado paterno vinha uma linhagem militar, com seu avô capitão de milícias e seu pai o Major Higino José Botelho de Carvalho, dono de modesta loja de ferragens. Sua mãe, sra. Augusta Ca­rolina Bueno de Carvalho, descendia em linha reta de Ama­dor Bueno, sendo seu bisavô materno capitão-mor.

Para enfrentar a crise econômica difícil, a família viu­-se obrigada a mudar-se para a zona dos quartéis (hoje Rua Xavier da Silveira). Há que se destacar que a família Carvalho residia no cobiçado bairro dos Quatro Cantos – o espaço geográfico e o tempo histórico peculiares à época do seu nas­cimento, infância e adolescência, tiveram influência decisiva na sua formação.

Iniciou seus estudos com professor particular em 1873 na cidade de Santos, em 1879 ingressou no Seminário Episco­pal de São Paulo, como interno, estudou ainda nos colégios Mamede e Norton em 1881 e a partir de 1882 cursou direito, matriculado com ordem especial da Assembleia Geral do Império, por ter 16 anos incompletos, sendo Bacharelado em 1886. Trabalhou como redator e colaborador dos jornais O Patriota, A Idéia Nova, Piratini, O Correio da Manhã e A Tri­buna; colaborou no O Estado de São Paulo sob o pseudônimo João d’Amaia.

Considerado o maior poeta lírico do Brasil, era ainda juiz de direito e jornalista. Revelou bem cedo sua marcante incli­nação literária, no entanto, sem deixar de exercer muitas ou­tras atividades, como escrever para teatro, fazer textos sobre a economia cafeeira. Foi redator do Diário de Santos e fundador do Diário da Manhã. Foi candidato a deputado provincial no Congresso Republicano no ano de 1887, deputado no Con­gresso Constituinte do Estado. Já na relatoria da constituinte, renunciou ao mandato em protesto pelo fechamento do Congresso Nacional, ditado pelo então presidente da Repú­blica, Marechal Deodoro da Fonseca. Mudou-se para Franca, município do interior paulista, e tornou-se fazendeiro. Em 1901, regressou a Santos, dedicando-se à advocacia. Em 1907, retornou a São Paulo, onde foi nomeado juiz de direito.

Foi, ainda, secretário de Interior do Governo do Estado. Entre os anos de 1908 e 1914, época em que exercia a advo­cacia, queria desenvolver o transporte hidroviário no Vale do Ribeira, então ajudou a fundar a Companhia de Navegação Fluvial Sul Paulista, da qual foi sócio. Ainda em 1914, passou a ministro do Tribunal da Justiça do Estado.

PALAVRAS AO MAR

Mar, belo mar selvagem

Das nossas praias solitárias! Tigre

A que as brisas da terra o sono embalam,

A que o vento do largo eriça o pêlo!

Junto da espuma com que as praias bordas,

Pelo marulho acalentada, à sombra

Das palmeiras que arfando se debruçam

Na beirada das ondas – a minha alma

Abriu-se para a vida como se abre

A flor da murta para o sol do estio.

Quando eu nasci, raiava

O claro mês das garças forasteiras:

Abril, sorrindo em flor pelos outeiros,

Nadando em luz na oscilação das ondas,

Desenrolava a primavera de ouro;

E as leves garças, como olhas soltas

Num leve sopro de aura dispersadas,

Vinham do azul do céu turbilhonando

Pousar o vôo à tona das espumas…

É o tempo em que adormeces

Ao sol que abrasa: a cólera espumante,

Que estoura e brame sacudindo os ares,

Não os saco de mais, nem brame e estoura;

Apenas se ouve, tímido e plangente,

O teu murmúrio; e pelo alvor das praias,

Langue, numa carícia de amoroso,

As largas ondas marulhando estendes…

Ah! vem daí por certo

A voz que escuto em mim, trêmula e triste,

Este marulho que me canta na alma,

E que a alma jorra desmaiado em versos;

De ti, de tu unicamente, aquela

Canção de amor sentida e murmurante

Que eu vim cantando, sem saber se a ouvia,

Pela manhã de sol dos meus vinte anos.

O velho condenado,ao cárcere

das rochas que te cingem!

Em vão levantas para o céu distante

Os borrifos das ondas desgrenhadas.

Debalde! O céu, cheio de sol se é dia,

Palpitante de estrelas quando é noite,

Paira, longínquo e indiferente, acima

Da tua solidão, dos teus clamores…

Condenado e insubmisso

Como tu mesmo, eu sou como tu mesmo

Uma alma sobre a qual o céu resplende

– Longínquo céu – de um esplendor distante.

Debalde, o mar que em ondas te arrepelas,

Meu tumultuoso coração revolto

Levanta para o céu como borrifos,

Toda a poeira de ouro dos meus sonhos.

Sei que a ventura existe,

Sonho-a; sonhando a vejo, luminosa.

Como dentro da noite amortalhado

Vês longe o claro bando das estrelas;

Em vão tento alcançá-la, e as curtas asas

Da alma entreabrindo, subo por instantes…

O mar! A minha vida é como as praias,

E o sonho morre como as ondas voltam!

Mar, belo mar selvagem

Das nossas praias solitárias!

Tigre de que as brisas da terra o sono embalam,

A que o vento do largo eriça o pêlo!

Ouço-te às vezes revoltado e brusco,

Escondido, fantástico, atirando

Pela sombra das noites sem estrelas

A blasfêmia colérica das ondas…

Também eu ergo às vezes

Imprecações, clamores e blasfêmias

Contra essa mão desconhecida e vaga

Que traçou meu destino… Crime absurdo

O crime de nascer! Foi o meu crime.

E eu expio-o vivendo, devorado

Por esta angústia do meu sonho inútil.

Maldita a vida que promete e falta,

Que mostra o céu prendendo-nos à terra,

E, dando as asas, não permite o vôo!

Ah! cavassem-te embora

O túmulo em que vives – entre as mesmas

Rochas nuas que os flancos te espedaçam,

Entre as nuas areias que te cingem…

Mas fosses morto, morto para o sonho,

Morto para o desejo de ar e espaço,

E não pairasse, como um bem ausente,

Todo o infinito em cima de teu túmulo!

Fosse tu como um lago,

Como um lago perdido entre as montanhas:

Por só paisagem – áridas escarpas,

Uma nesga de céu como horizonte…

E nada mais! Nem visses nem sentisses

Aberto sobre ti de lado a lado

Todo o universo deslumbrante – perto

Do teu desejo e além do teu alcance!

Nem visses nem sentisses

A tua solidão, sentindo e vendo

A larga terra engalanada em pompas

Que te provocam para repelir-te;

Nem buscando a ventura que arfa em roda,

A onda elevasses para a ver tombando,

– Beijo que se desfaz sem ter vivido,

Triste flor que já brota desfolhada…

Mar, belo mar selvagem!

O olhar que te olha só te vê rolando

A esmeralda das ondas, debruada

Da leve fímbria de irisada espuma…

Eu adivinho mais: eu sinto… ou sonho

Um coração chagado de desejos

Latejando, batendo, restrugindo

Pelos fundos abismos do teu peito.

Ah, se o olhar descobrisse

Quanto esse lençol de águas e de espumas

Cobre, oculta, amortalha!… A alma dos homens

Apiedada entendera os teus rugidos,

Os teus gritos de cólera insubmissa,

Os bramidos de angústia e de revolta

De tanto brilho condenado à sombra,

De tanta vida condenada à morte!

Ninguém entenda, embora,

Esse vago clamor, marulho ou versos,

Que sai da tua solidão nas praias,

Que sai da minha solidão na vida…

Que importa? Vibre no ar, acode os ecos

E embale-nos a nós que o murmuramos…

Versos, marulho! Amargos confidentes

Do mesmo sonho que sonhamos ambos!


Poesia – Conheça Santos – Marcial Salaverry

Quem vem a Santos passear,
apenas a praia quer freqüentar…
Seus jardins são passagem obrigatória…
Mas… E sua história?
Todos vão ao Aquário,
e também ao Orquidário…
Mas ficam sem a história conhecer,
e realmente, há muito que saber…
As ruínas encravadas na saída do túnel,
representaram na história seu papel…
O Panteão dos Andradas,
Outeiro de Santa Catarina,
locais conhecidos de poucos santistas,
que dirá dos turistas…
E fazem parte da história,
contam de Santos sua glória…
Igreja do Carmo, Alfândega de Santos,
e seus belos portões, tão lindos quando fechados,
mas isso apenas nos domingos e feriados…
Igreja do Valongo, quanta história nos conta…
Suas imagens com ouro e pedras preciosas engastadas,
tem proteção especial para não serem roubadas…
E o agora famoso prédio da Bolsa do Café…
Totalmente restaurado,
é um marco das glórias de um recente passado…
Quente ou gelado, toma-se o melhor café
que se pode provar no mundo…
Lá, a história foi preservada,
e totalmente respeitada…
Há que se visitar, para jamais esquecer…
O futebol também tem seu Museu,
exaltando as glórias do time do Pelé,
da cidade, o clube de fé.
Os jardins de Santos, além de sua beleza natural,
através de seus monumentos, também contam a história,
pois sempre lembram alguém que guardamos na memória…
Martins Fontes e seus cravos na lapela, sempre renovados,
Vicente de Carvalho, Bartolomeu, e tantos sempre lembrados…
E o passeio de bonde, não podemos deixar de fazer,
pois é uma linda volta ao passado, que não se deve esquecer…
Quando Santos novamente visitar,
venha também sua história honrar…
Não fique apenas na praia, e tenha a felicidade
de conhecer este outro lado de nossa cidade…